Feira Central de Campo Grande

FEIRA CENTRAL
DE CAMPO GRANDE

A HISTÓRIA NA LINHA DO TEMPO

A AFECETUR – Associação da Feira Central, Cultural e Turística de Campo Grande – MS é uma associação civil, com autonomia para administração da Feira Central, constituída por número limitado de associados e exclusiva dos feirantes da Feira Central de Campo Grande, com sede na Rua 14 de Julho, 3351, Centro, Campo Grande, Mato Grosso do Sul, CNPJ 02.750.143/0001-46.

Essa Associação tem como principal objetivo e finalidade, promover atividades culturais nas suas várias formas de expressão, para divulgar a cultura local e regional, bem como toda e qualquer atividade que possa valorizar e fortalecer a cultura sul-mato-grossense, visando a valorização da Feira Central em todos os seus aspectos, principalmente em sua valorização como patrimônio cultural e turístico da cidade.

Quem por aqui passa se apaixona pelo jeito simples e hospitaleiro dos feirantes, pelo ambiente familiar e acolhedor. Há pessoas que vem até a feira apenas para dar um passeio, encontrar os amigos, bater aquele papo, distrair os filhos ou ainda prestigiar uma atração cultural, fato muito comum aos domingos, onde tradicionalmente a feira realiza o “Domingo Cultural”, um espaço dedicado aos artistas locais, para que possam divulgar o seu trabalho.

Todo campo-grandense natural ou de coração, tem no fundo uma memória afetiva com esse lugar, uma lembrança dos passeios na feira de rua quando criança, ou na juventude os encontros para o “esquenta” das baladas noturnas ou ainda o “fim de festa”, com um Sobá (prato típico muito apreciado pelos campo-grandenses, há décadas é feito de forma artesanal pelas “obasan”, sua massa não leva sêmola como nos macarrões tradicionais e sim um extrato de cinzas vegetais, é difícil pensar na feira e não lembrar do Sobá) ou espetinho degustado nas madrugadas e muitas vezes até no raiar do dia na “Feirona”.

São muitas histórias nesse quase um século de existência e hoje o retrato que temos, são de diversas gerações de frequentadores, avós com seus netos, pais com os filhos, e até mesmo as três gerações juntas, prestigiando e contando suas histórias com a Feira Central, cumprimentando os feirantes que já se fizeram amigos, apresentando seus filhos, netos, orgulhosos em fazer parte desse cantinho que é a cara do povo sul-mato-grossense.

Conhecida como “Feirona”, tem no setor de gastronomia, 25 restaurantes, onde a maioria dos proprietários são japoneses, descendentes da ilha de Okinawa, cuja gastronomia se adaptou a culinária local. Nesse setor os principais destaques são o tradicional espetinho com a mandioca amarela da terra e o Sobá de Campo Grande. O Sobá é um prato típico originário de Okinawa/Japão e que foi adaptado a culinária local.

Em 10 de agosto de 2006 foi feito o Registro do Prato Típico:

Sobá como Bem Cultural de Natureza Imaterial do Município de Campo Grande/MS. Além de restaurantes, no setor de alimentação temos ainda cerca de 100 bancas que comercializam: verduras, doces, salgados, sucos, sorvetes, castanhas, ervas e raízes, pimentas e condimentos, erva para tereré (bebida típica do estado), entre outros. A feirona possui ainda um amplo setor de varejo com aproximadamente 200 lojas que comercializam: artesanatos, roupas, calçados, bijuterias e acessórios, brinquedos, bolsas, artigos de cama, mesa e banho, enxoval para bebe, cosméticos e perfumaria, etc. Não podemos deixar de registrar aqui que, ainda nos dias atuais o maior “cinturão verde” de produção de verduras/folhagens na cidade de Campo Grande, são dos japoneses que iniciaram suas comercializações na feira central há mais de 90 anos e que permanecem na Feira Central até hoje com suas gerações (filhos, netos, etc).

No dia 17 de outubro de 2017 a Prefeitura Municipal de Campo Grande, homologou a Feira Central de Campo Grande como Patrimônio Cultural e Imaterial de Campo Grande.

Aos domingos tradicionalmente ocorre o “Domingo Cultural”, um espaço aberto para as diversas expressões e manifestações culturais, dos artistas locais e regionais para que possam divulgar o seu trabalho.

Lugar de encontro de gerações, muito frequentada pelas famílias campo-grandenses, a Feira Central é ponto de encontro cultural e turístico que acolhe todos que por aqui passam com um ambiente peculiar, que vai desde o toque do berranteiro a simpatia das senhorinhas japonesas que comercializam suas verduras.

INFORMAÇÕES HISTÓRICAS SOBRE O BEM

A Feira Central de Campo Grande abriga um encontro de várias raças como, japoneses vindos da emigração através do Kasato-Maru, colonizadores de outros estados brasileiros com seus costumes, nativos, povos indígenas na sua essência vindos da Aldeia Limão Verde e das aldeias urbanas existentes no município de Campo Grande, e também irmãos vizinhos, Bolivianos e Paraguaios. Toda essa miscigenação de expressões culturais e gastronomia expressiva, nos fizeram únicos, gerando muitos empregos, ajudando na economia local, tornando-se assim um ponto de encontro e orgulho desses povos. Um espaço público que expressa várias culturas em um só local.

Em 1955, a Feira Livre foi transferida para a Rua 15 de Novembro, entre a Avenida Calógeras e a Rua 14 de Julho, ali permanecendo até 1958, ano em que foi inaugurado o Mercado Municipal, construído no mesmo lugar em que se instalou a primeira Feira, regularizada em 1925, na época denominada de Praça do Mercado.

O poder público passa a intervir na organização da feira livre a partir de 1938 quando calça a área, um lamaçal, que em dias de chuva impossibilitava o transito das carrocinhas e enfeavam as mercadorias e determina limites máximos de 1.500 metros de proximidade dos mercados, escolas, hospitais, por questão de salubridade e higiene, o que justificou a mudança.

Novamente deslocada para atender os regulamentos municipais, a feira foi removida para outro local. Ocupou a Rua Antônio Maria Coelho, entre as ruas Pedro Celestino e 13 de Maio, de 1958 a 1964.

O volume de comerciantes cresceu e os problemas de logística também. A população pede ao poder público que se posicione na organização, limpeza e fiscalização dos produtos vendidos. Para atender aos apelos da população, novamente, sua transferência se fez necessária, indo ocupar a área ocupada pelas Ruas José Antônio, Abraão Júlio Rahe e Padre João Crippa, próxima ao centro da cidade.

A cidade de Campo Grande cresceu. Tida como um centro irradiador de progresso acolheu o imigrante e formou uma população multirracial, se integrou aos seus costumes e modos de fazer. Mesclou-se, criando uma cultura única, característica, que faz com que Campo Grande seja a cidade de todos.

Se a Feira Central é um reflexo da cidade, foi natural o seu processo de mudanças, acompanhando a capital dos sul-mato-grossenses.

Aquela feira que recebia os jovens da geração da década de 1960/1970, boêmios, e funcionários da noite, para o sobá na madrugada, fez parte da história de um grande grupo de pessoas que hoje trazem seus filhos e netos para reviver suas memórias na nova Feira Central.

Em espaço melhorado, com instalações limpas, substituindo os “bancos” em madeira sobre cavaletes, de segurança duvidosa, o cuidado com os pés nos regos de água que se formavam na lavagem da louça e outros improvisos, que muitos achavam “romântico” ou “peculiar”, mas hoje, com as inovações e higiene presente, reviram esses conceitos.

Assim como a cidade, a “Feirona” foi ganhando mais e mais adeptos, prêmios e se consolidando como espaço único de Campo Grande. Ponto turístico, de integração entre o passado e o presente. Lugar de encontrar os amigos, bater papo com os feirantes, assim a Feira Central foi crescendo ao longo dos anos. Em 17 de outubro de 2017, esse importante e histórico espaço cultural foi homologado como Patrimônio Cultural e Imaterial de Campo Grande-MS.

Com os olhos no futuro, sem perder suas raízes, os feirantes se capacitaram e hoje, a Feira Central, além de excelente gastronomia, hortifrútis de qualidade, artesanato local, presentes e uma infinidades de outros produtos, o visitante também pode usufruir de um espaço de lazer, entretenimento cultural e conhecimento da cultura sul-mato-grossense.

Os associados da Feira Central, formando uma sintonia de interesses pelo crescimento dos seus empreendimentos, do atendimento ao público, perpetuar um processo iniciado há mais de 90 anos, e que tem a terceira geração trabalhando incansavelmente. São empresários, não tem improviso nas atitudes e ações coletivas. Mantém a essência da feira livre, nascida de uma vontade de muitos pioneiros que enfrentaram toda sorte de percalços para mantê-la e hoje perpetuada na mesma fibra dos seus descendentes e empreendedores que acreditam no projeto de manter a tradição.

Muitas famílias aqui se constituíram, outras tantas passaram e deixaram saudades, outras formaram seus filhos que hoje são médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, administradores, entre tantos outros, com o suor do trabalho da feira. Outros decidiram seguir e dar continuidade aos negócios da família e continuam na feira até hoje.

A Feira Central é uma grande família, onde mais de 300 empresários/feirantes, trabalham e colaboram mutuamente para a manutenção desse espaço tão democrático que acolhe as mais diversas e variadas culturas.

É habito dos aproximadamente 900.000 (novecentos mil) habitantes da capital sul-mato-grossense, trazer seus hospedes quando por ocasião festiva, para orgulhosamente apresentar-lhes esse espaço conhecido popularmente como “Feirona”.

Com gastronomia expressiva em seus 25 restaurantes, na praça de alimentação é comum ver filas se formarem para saborear os pratos já consagrados e registrados no município como o Sobá por exemplo.

Como qualquer outro local comercial na feira também houve alguns ciclos, sendo necessário o ajuste por parte dos comerciantes, porém, o mais encantador foi que, tais ajustes não roubaram o encanto e o prazer pelo trabalho no local, a exemplo do seu Manoel Pereira Santos, com mais de 75 anos, brasileiro, paulista, que há mais de 50 anos trabalha na Feira Central e acompanhou as movimentações de endereço da feira. Sem descendentes ele declara:

“Se me tirarem daqui eu morro. Essa é a minha família.

Estou doente, mas só sinto dor em casa, aqui fico bom “só vendo”.”

Em 2004 a feira foi transferida da Rua Abrão Julio Rahe, local que permaneceu por 40 anos (1964-2004), para a Esplanada da Ferrovia, de entorno todo tombado pelo Patrimônio Nacional. Aqui acomodaram-se todos os seus comerciantes nas dependências com suas lateralidades, como no antigo espaço, sugestão coletiva para não perder clientes, foi o pedido dos feirantes na época. Mas, como toda mudança requer novas ações, iniciou-se o trabalho de conhecer o que poderia ser explorado para enaltecer e salvaguardar o comércio e o berço da cultura gastronômica oriental adaptada a produtos da economia local, como hortifrutis, carne bovina, omelete e outros.

Foi então que surgiu e se estabeleceu, o 1º Festival do Sobá em 10 de Agosto de 2006 e nessa ocasião foi celebrado o registro desse prato como Patrimônio Imaterial do Município de Campo Grande por solicitação da AFECETUR (Associação da Feira Central, Cultural e Turística de Campo Grande), tendo presente a Superintendente do IPHAN regional, representante do IPHAN nacional, além do Prefeito Municipal, Secretário de Cultura e outras autoridades, festival este na sua 13ª edição, um prato imaterial, ofício das obasans na fabricação do macarrão artesanal a base de trigo, cozido com cinzas vegetais mergulhado no caldo de carne de puchero, omelete em tiras, cheiro verde e carne de sua preferência, prato que une vários povos e dois mundos. Um exemplo é a senhora Takako Katsuren que naturalizada brasileira, filha de combatente da guerra no Japão, que aos 05 (cinco) anos de idade, recebeu a triste notícia que seu pai está desaparecido na guerra. Dez (10) anos depois, seu pai reaparece vivo e pega a já adolescente Takako e migra para o Brasil e se instalam na cidade de Campo Grande. Como de costume oriental o pai de Takako a cede para um casamento arranjado (Miai), mais tarde, seu pai vem a falecer e Takako já com dois filhos, num acidente trágico fica viúva. Em seguida, casa-se novamente para que possa sustentar seus filhos, tem o terceiro filho e na sequência fica viúva pela segunda vez. Pela luta e empreendedorismo dessa guerreira oriental, dissemina-se um dos primeiros comércios oficiais de Sobá na Feira Central, denominados de “Sobarias”. Takako é escolhida por entidades do comércio, como profissional do ano, em honra a sua luta e fiel desempenho do seu oficio. Desde que emigrou para o Brasil, Takako nunca mais pode ver sua mãe. Legou aos três filhos brasileiros as culturas e as adequações da nossa região. Já como obassan de respeito torna-se conselheira e tem seu nome registrado nos históricos da Feira Central.

O festival já faz parte do calendário de festividades do município e também do estado de Mato Grosso do Sul, festas, som, expressões culturais, danças, as mais variadas manifestações.

Após o sucesso do Festival do Sobá, em 2008 criamos a Festa do Peixe, voltada para a cultura pantaneira, fomentando o consumo do pescado local, com diversas atrações culturais, como shows, apresentações de dança, teatros, etc. Ocorre anualmente na semana santa, período de páscoa e está em sua 11ª edição.

Para conhecer a nossa idade e manter viva a comunicação com a comunidade elaborou-se um chamamento público, “Se a nossa história faz parte da sua, venha participar conosco”, e em data marcada registrou-se a presença do senhor Frederico Vitorio Valente, neto do funcionário público Antonio Valente, que cedeu espaço para, em sua propriedade abrigar a Feira Central em seu primeiro endereço, local este que hoje funciona o Mercadão Municipal de Campo Grande.

Histórias como a do doceiro Silvestre que orgulhosamente toca o seu berrante para as multidões que transitam na avenida da feira. O reencontro do menino que lavava pratos em uma barraca de Sobá na feirona, que acolhido, recebia mantimentos para levar a sua família e que por vezes dormia na residência do proprietário da barraca, 35 anos depois, Vereador eleito, reencontra a família de seu primeiro emprego e com entusiasmo, ele se declara para seus ex-patrões:

“Hoje sou seu vereador, obrigado por ter me acolhido”.

Experiência de vidas, culturas e tradições inspiram-se nesse espaço, interpretadas nos versos cantados na musica do Sobá:

“Reunir todas as nações em um só, venha você também participar”.